terça-feira, 25 de agosto de 2009

À ventura...


Ah, quanto querer há em meu coração.
Ah, quanto desejo trago dentro de mim.
Será que tenho tanto espaço assim?
Todo esse tempo eu me dizendo não...
É o medo de um beijo.
É o ciúme contido e não desabafado.
É como explicar a todos, mas para que só você entenda:
O admirar quietinho e o gostar calado.
Aquele grito mudo e os olhares que se procuram.
É o anseio do desconhecido e do indubitavelmente prazeroso...
Acabou!
Eu e você frente a frente, será?
É a pergunta que não vou calar.
Toda essa dúvida e demasiado receio;
Que me prendia a uma amizade que já não me basta: Eu quero mais!
Poderei ser livre, e tu poderás?
O vício por ti não tem cura
Só eu e você e tantas juras...

(I.A.M² - 24/06/2009)

Sem PC e com pouco papel.

Eu escrevo para me sentir melhor, para me sentir completo e realizado como pessoa, como o que eu acho que sou, como ser humano. Pois quando escrevo, me liberto, aparentemente, de quase tudo o que me apavora e me consome de maneira impiedosa...
Confesso que às vezes escrevo porque tenho necessidade de 'expor' o que penso, o que sinto, sinto que tenho que passar para o papel tudo o que de mais proveitoso, ou não, vivenciei, enfim, o que quero dizer, mesmo que isso seja lido apenas por mim.
Escrevo não para ser lido ou compreendido e decifrado por alguém... Se bem que em certas ocasiões deixar algum entendimento a cargo do 'destinatário' do texto é um tanto divertido. :D Escrevo apenas por mim e para mim. Mas se de alguma maneira o que eu escrevo interessar e despertar a opinião de alguém, não me incomodo de forma alguma com isso. Apenas escrevo, escrevo e escrevo. Deculpem-me a demora em postar mais algumas letras por aqui. :D

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um dia em que eu, talvez, cante...


Que eu não cante somente ao ver algumas árvores cobertas de frutos perfumados no verão; mas que eu cante, também, ao vê-las todas nuas, devastadas por prolongadas secas ou por pragas.

Que eu não cante somente quando alegria, paz, beleza e amor encherem meus olhos, coração e vida; mas que eu cante, também, quando eu sentir que um deserto se abriu no meu peito e em todas as vezes que parecer que uma noite se estagnou bem no fundo da minha alma.

Que eu não cante somente quando meus pés caminharem entre flores e eu sentir que vicejo num jardim, ofertando perfume aos meus amigos, meus irmãos; mas que eu cante, também, quando o insucesso, a dor, a ingratidão varrerem do meu caminho todas as flores e o deixar eriçado só de espinhos.

Que eu não cante somente na áurea juventude dos meus anos quando me sinto como uma ave, na doce liberdade de pairar por cima das belezas da existência; mas que eu cante, também, quando se forem as aves e as belezas e eu sentir o inverno, em solidão de ventos frios...

Mais do que nunca, então, farei com que eu sinta, em minha fronte, o sopro cálido de um sereno e imenso amor de mãe e se é mister que eu chore, nesses dias, possam as minhas lagrimas vertidas cair todas sem mágoa, reluzentes, como as ultimas notas de cristal desta longa canção da minha vida...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Carma rouco

Sim, ela me pegou. Nada mais forte e mais verdadeiro como ‘A sutil flecha da beleza’ de Friedrich Nietzsche in ‘Humano, demasiado humano’ onde ele diz:

“A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias. [...]”.

Quem é que ainda não viu?!

O jeito como eu não consigo mais disfarçar, nem controlar, um suspiro me escapa quando falo o nome dela, olho pra cima e respiro fundo quando tocam o nome dela, aquece-se o meu sangue e molha-se a minha boca quando o assunto é ela. Meu carma já está rouco de tanto gritar aos ouvidos do destino, dedicou-se a escrever e a não mais gritar. Espera-se ansiosamente que o destino saiba ler.

Oh céus, que juízo esse meu, não?!
:)