sexta-feira, 6 de março de 2020

VOCÊ É UM POEMA

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você é um poema
que eu quero fazer parte
sendo teu verso
tua estrofe ou tua frase
sendo teu solto
teu preso ou teu covarde

serei para ti um soneto
terás de mim duas quadras
e dois tercetos
serei um cão que não ladra
e que não impõe medo
serei teu café e tua janta
serei teu filho
fruto de tuas ancas
serei tua sombra
e não terei brilho
carregarei teu sangue
serei carne da tua carne
minha história será escrita
em versos voláteis

você é um poema
vestida de noiva
serei teu esposo
querendo ser o teu outro
serei teu almoço
querendo a tua mordida
no osso do meu pescoço

serei pra ti um velho doente
sem coragem, complacente
que transborda em calmaria
serei para ti um velho
que a mão trêmula
nunca te disse não
me vestirei de velhas rimas
e velhas alegorias
serei para ti um velho poema
mais velho que a luz do dia

você é um poema
que traz conforto
esperança e jogo
e que em alguma parte
se lia "quer entrar?"
então entrei e me atrevi
quem sabe assim eu perceberia
que você é o meu melhor poema
que eu nunca escreveria.

(I.A.M² - 28/07/2017)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Resgate



Eu estava lá e você me viu
Sufocado, em asfixia
Me pegou pela mão
Coração em disritmia
Expurgando o que me consumia
Prometendo-me todos os dias
Que aqui ou em qualquer lugar
Você estaria lá


Fosse uma hora ou dias a fio
Preenchendo cada buraco
Cada espaço vazio
Você estaria lá


Eu era sofreguidão
Em atenuante solidão
Hoje sou só coração
Amando
Além de minha extensão.


(I.A.M.² - 21/08/2014)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Unum Secundis



Minha mente divagava sobre a vida
E nas juras que você me fez
E te pergunto: "O 'para sempre' pode ser vivido outra vez?"
Acho que me enganei
Por um momento eu achei
Que o para sempre fosse

Viver toda uma vida 
Somente num segundo
E até o fim do mundo
A vida toda em seu abraço

(I.A.M² - 20/02/2014)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Para mim



Para que não exista dúvidas
Digamos desde já que somos um do outro
Para que não exista injustiça
Digamos desde já que somos igualmente desmedidos
Para que não exista lacunas
Digamos desde já que nos complementamos
Para que não haja mal entendidos
Digamos que desde sempre nos amamos
E para que não tenha fim
Iremos desde já nos sorvendo
Para que um no outro continue vivendo...


(I.A.M² - 11/06/2013)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

E se foi...





Eu a vi
Despedaçando lembranças 
de um amor que não existe mais
Eu assisti
Aquele Memento Mori 
tão elucidativo para nós mortais
Eu ainda quis
Que junto àquelas lembranças
fossem-se outras mais
Eu a fiz feliz,
Tirando de perto de mim
tudo que me subtrai?
Eu juro que quero bis
Desta mesma vida
em outras mil mais
Porque com Ela
encontrei a minha paz.

(I.A.M² - 27/05/2013)

domingo, 8 de julho de 2012

Meio mulher, meio sonho.



Aquele beijo no pescoço que ela me dá
Aquela sensação de abandono que ela me faz passar
Aquele medo irremediável de perdê-la sem lutar
E se for somente um sonho? – Eu não quero mais sonhar!

Meio mulher, meio sonho
Você é tudo pra mim,
Minha vida, meu início, meu meio e meu fim;
Minha mulher é o meu sonho

(I.A.M² - 08/07/2012)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

De repente

Hoje foi apenas a necessidade de postar as linhas de pensamento de um amigo que me trouxe até aqui:

De repente, ele viu sua mãe chorar. Muito jovem para entender tudo aquilo. Seu pai saiu com uma mala e arrepiou seu cabelo ao nomeá-lo o homem da casa. Uma mulher e três crianças... Ou melhor, uma mãe, um homenzinho e mais duas crianças que ele protegeria com os punhos de um garoto briguento. Como se sentiu o garoto? Dificilmente entenderemos, pois é quase certo que nem ele saiba explicar a pluralidade e ambivalência de sentimentos que o envolvia naquele momento e no período posterior. O que muitos pensariam, consciente ou inconscientemente, em sua situação é: “por que ele nos deixou? Por que fui deixado? O que é que eu fiz? Talvez se eu tivesse sido ou me saído melhor naquilo...” Julgo que nosso jovem, no seu íntimo, ainda se questiona, embora racionalize tudo para que sua consciência possa suportar.
O papai gostava de muitas coisas, mas sempre demonstrou especial interesse pela leitura, um homem entregue as letras, admirador da boa literatura... E o garotinho? Não entendia nada disso, nem sabia que com isso poderia ter o pai de volta. Mas, poderia mesmo? Não importa, era uma possibilidade. No momento o que importa é a atenção devotada, o afeto investido, e isso ninguém poderá tomar dele. Foi isso que o garotinho fez, mas somente muito tempo depois.
O papai agora é autor livros, coisa de gente grande. Homem de poética ingênua e simplória, pois é assim que se faz um acalentador relato sobre suas vivências interioranas, o seu mais recente livro. O garoto agora é crescido, e letrado, pois foi rapidamente tomado por um impulso voraz de saber; não um saber qualquer, mas o saber discursivo, poético, que visa o domínio das palavras... Que retorno, que busca, que regressão no tempo... É! para muitos seria tarde demais, mas para ele não, é apenas o começo. Devora rapidamente o livro do papai. Com uma caneta rabisca alguns erros de edição... Como dizem: o aprendiz um dia supera o mestre. Mas ainda não foi isso que aconteceu.
O garoto vai continuar crescendo... E vai continuar escrevendo a partir daqui este humilde relato de quem não sabe nada do sofrimento de um pequeno garoto.

(Róbson Henrique)

terça-feira, 15 de março de 2011

Volto amanhã


Perdão às pessoas as quais não me desculpei
Perdão aos minutos que eu desperdicei
Perdão aos tantos papéis que insatisfeito amassei.
Amanhã estarei de volta.
Obrigado pequeno pedaço de mim.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fatigado


Depois de tanto tempo errante.
Tentarei ser mais amante
E menos intolerante.
Serei um pouco menos arrogante
E muito mais apaixonante.
Porque dessa vida unissonante
Não serei apenas um tripulante
Serei, eu, o comandante.
Pois estou cheio de papéis vacantes
E sei que aos ouvidos do meu destino
Não há quem cante
Aquela música tocante
Dos meus tempos de viandante.

(I.A.M² - 20/06/2010)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Criação



Fala um ‘deus’ pretensioso: Eu criei uma Mulher.
Fiz dela a personificação atemporal de todas as minhas necessidades.
Moldei-a ante a um medo que eu nunca tive coragem de encarar.
Apresentei-a ao meu próprio mar de demônios e fiz com que ela nadasse nele...
Ensinei-a, subjetivamente, como usar esses demônios como armas.
E de dentro do meu mar, os meus demônios começaram a acordar.
Quiseram aflorar, quiseram subir, todos eles de uma vez.
Mas, enfim, o mais forte falou: 
Calem-se! De nada adianta querermos sair.
Se o mundo lá fora irá nos destruir.
Precisamos da Ira para sub existir
E eu, a Indiferença, serei a primeira a sair
Fala um ‘deus’ desapontado: Eu sou um idiota;
Deixei o sentimento fluir.

(I.A.M² - 20/05/2010)

domingo, 16 de maio de 2010

There is no safe place in the world that guarantees us the freedom to think about ourselves. 
(I.A.M² - 16/05/2010)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Parábola da Dor




PÁRABOLA DA DOR
(POEMETO ROMÂNTICO)

Para Vilela de Abreu

Anoitecia,
        a Dor saíra em
de um peito onde ficasse agasalhada.

Êxtase. Paz. Enlanguescida e fusca,
a luz do poente iluminava a estrada...

Depois de muito andar, à beira do caminho,
avistou um ancião a meditar sozinho,
sobre uma pedra.

        Aproximou-se e disse-lhe:
                                “Homem,
eu vaguei no mundo a procurar um peito amigo,
trago rotos os pés!
Por tua compaixão, dá-me um abrigo,
...eu sou a Dor... e tu, homem, quem és?”

E o homem levantando a fronte encanecida,
respondeu:
        “Sou filósofo, sou pobre,
e vivo a vida de pensar na vida.
Mas, se queres um abrigo
para o resto de vida que me sobre,
podes morar, podes viver comigo...
És igual, para mim, q qualquer bem terreno:
- se tens outro sabor, tens o mesmo veneno
que todos eles têm!
E eu que tenho o viver já quase findo,
sem um dia de glória e sem um dia
de prazer, acredito que a alegria
é uma maneira de sofrer sorrindo!...

Portanto, Dor, se queres um abrigo,
podes morar, podes viver comigo.”

“- Não, disse a Dor, os pensamentos teus
são céticos demais, não fico – adeus!”

Partiu,
Era já noite feita. A lua,
como a Vênus dos astros, seminua,
bailava na amplidão...

         Não muito longe,
a Dor viu um mosteiro e, junto á porta
de entrada, um velho e solitário monge.
Mendigou-lhe pousada, e o religioso
acolheu-a dizendo

        “- Entra em meu peito.
Serei, trazendo-te comigo, venturoso
e, chorando por ti, serei perfeito!
Tu serás minha glória, minha cruz.
Jesus, o Mestre, te adorou. E um dia
foste a glória sublime de Jesus!...

Tenho meu peito aberto para te acolher,
bem sei, és-me uma glória imerecida:
- feliz daquele que encontrar na vida
uma oportunidade de sofrer!”

A Dor tudo escutava. E o franciscano
concluiu a dizer:

        “Em ti, encontro
a divina razão de ser humano!”

“- Não, disse a Dor, os pensamentos teus
são divinos demais, não fico – adeus!”

E a Dor seguiu, a passo.
        À claridade
da lua, pôde ver ao longe uma cidade.
Alcançou-a, depois de alguns momentos.
A cidade dormia. E a Dor, perdida,
foi pelas ruas, caminhando ao léu...

Afinal, encontrou numa avenida
um moço que, deitado sobre uma banco,
de olhos serenos, contemplava o céu.

“- Jovem, eu sou a Dor, e vivo em busca
de um peito humano que me ceda abrigo.
Por esta noite, ao menos, dá que eu possa
ficar contigo.”

“- O que estás a pedir-me, disse o jovem,
é um sacrifício para mim, no entanto,
meu coração de moço não resiste
à tristeza de alguém sem ficar triste,
nem poder ver alguém chorar, sem ter desejos
de lhe enxugar o pranto!
Se queres, pois, um agasalho, então,
um agasalho encontrarás
em meu coração!

Que me faças sofrer mesmo a todo momento,
unicamente anseio
à glória de ter sempre, em meio sofrimento,
uma frase que abrande o sofrimento alheio!

E a Dor, emocionada, exclama, então:
        “- Sublimes
e humanos são os pensamentos teus!
e eu não conheço verbo que resuma
o que em frases simplíssimas exprimes.
Extraordinário jovem, tu és, em suma,
um corpo humano onde palpita um deus!
Concede, agora, que eu te beije os pés.
Que de teu peito, para mim aberto,
faça a minha morada predileta...
... E, todavia, inda não sei como és.”

E o moço, erguendo para os céus o incerto
e vago olhar, responde:

        “Eu sou poeta!”


(Ferreira Gullar)

segunda-feira, 19 de abril de 2010


Galera, aviso rápido:
Mudança!
Em breve este blog estará com uma cara nova. Portanto, venho de antemão desculpar-me por quaisquer que sejam os erros que ocorrerem por aqui. Ainda estou trabalhando no novo ‘look’ do blog. Espero que apreciem.
=)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Gente




Tem gente que me lê sem saber o que busca
Tem gente que me lê sabendo que eu sou muitos
Tem gente que me lê sabendo que finjo ser outros
Tem gente que me lê simplesmente por vontade


Muita gente não sabe o que busca
Muita gente é assim; como eu.
Tem gente que não ama
E tem gente com o coração como o meu
Tem muita gente que não sabe
Que tem gente que finge saber que sabe


Tem gente que busca o saber
Através dos pensamentos de outrem
Tem gente que constrói o saber
E que o faz como ninguém


E toda essa gente faz parte do meu mundo
No qual eu não me encaixo perfeitamente
Seja ele raso ou profundo
Mas vivo como um transeunte constantemente;
Vivo como um animal in mundo.

(I.A.M² - 16/04/2010)

Divina Comédia





De longe eu o observava
Via em sua postura curvada, sentado sobre uma balde emborcado
O semblante de uma rapaz cansado, mas
Ele amparava em suas mãos um clássico da literatura
A Divina Comédia do Dante Alighieri.
Lia-o como quem devora um bom prato de comida após dias em fome.
A sensação de vê-lo lendo, além de inesperada, fora inebriante.
Senti múltiplas vontades, mas...
Ele merece mais que um dia após o outro para se satisfazer.
Ele merece mais que o raiar do sol para um bom dia de trabalho.
Ele deliciava-se no prazer da irresponsável leitura.
Ele tinha nas mãos as marcas de uma manhã de esforços.
Ele tinha na mente a ventura de uma incansável viagem pelo desconhecido.
Ele tinha fome e sede da incansável busca do infinito.
Ele lia-o, ele apreciava-o; ele era como eu...
Ele foi a imagem do meu dia.

(I.A.M² - 16/04/2010)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

"Acho"






Acho melhor eu sair e encontrar pessoas
Que sempre me digam a verdade.
Sei que preciso delas
Para me curar de algumas manias fúteis.
Mas temo que estas pessoas
Precisem mentir um pouquinho.
Verdades demais não me serão, assim, tão úteis.
Mas...
Acho que me bateu uma preguicinha
daquele jeitinho.
Acho que dá pra viver
Ouvindo mentiras devagarinho.

(I.A.M² - 12/04/2010)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Do relativismo amoroso



Eu buscava um sentimento que me desse alguma certeza.
Uma certeza bruta.
Uma certeza absoluta.
Um sentimento real...

Sentir saudades de alguém me dá a certeza de que este alguém está longe, mas a certeza só me é dada naquele momento; quando eu voltar a ver este alguém, a saudade suavemente se extinguirá.

Sentir medo do que quer que seja me dá a certeza de que eu não tenho a coragem suficiente para superá-lo, mas por quanto tempo?

Sentir-se com raiva me dá a certeza de que eu posso ser mau, de que, possivelmente, poderei sentir nos lábios o doce sabor da vingança. Mas a minha raiva certamente não durará para sempre.

Sentir-se corajoso me dá a certeza de que eu posso, de que eu consigo; mas quanto tempo até aquele medo tomar conta de mim?

Sentir-se apaixonado, embebido dos pés à cabeça, na mais pura paixão, me dá a óbvia certeza de que eu estou apaixonado; mas quanto tempo até esta paixão virar amor?

Já quando se ama, digo: ama-se de verdade, ama-se com tudo e por ser amor tenho a mais inefável das certezas de que este amor não terá fim.
Mas na vida real este mesmo inefável não é tão pleno assim; pode-se esmigalhar em poucas palavras.
Na vida real o amor incansavelmente declarado como verdadeiro pode acabar, pode mudar...

Mudar, como?

O amor é o mais sublime dos sentimentos;
Não é cabível de melhoramentos.

Resta-nos, então, a depreciação de tal sentimento. A idéia de regredir no amor é absurda! Afinal, quem uma vez atinge o nirvana não mais quer perdê-lo.

Portanto, na vida humana terrena todos estes sentimentos são variáveis.
A plenitude encontra-se no papel onde cada sentimento, ao recair sobre as letras todo o seu encanto, torna-se pleno e, finalmente, inefável.

Amar fora do papel é tão complicado quanto possível.


(I.A.M² - 07/04/2010)

domingo, 4 de abril de 2010

Travessa São Tomaz de Aquino

Que saudades que eu sinto daquela terra querida
Onde aprendi tanta coisa e muita coisa eu fiz da vida
Que saudade que eu tenho da gente de lá
Que me fazia rir
Que me fazia cantar
Saudades eu tenho é da rua de trás
Onde eu jogava bola sendo sempre o goleiro
Brincava com amigos que foram os meus primeiros
E que carrego até hoje do lado esquerdo do peito.
(I.A.M² - 04/04/2010)

sábado, 3 de abril de 2010

Poeta é Mário Quintana

Depois de ler a homenagem do Jaime Caetano Braun ao saudoso Mário Quintana:



"Entre os bem-aventurados
Dos quais fala o evangelho,
Eu vejo no mundo velho
Os poetas predestinados,
Eles que foram tocados
Pela graça soberana,
Mas a verdade pampeana
Desta minh’alma irrequieta,
É que poeta nasce poeta
E poeta é o Mario Quintana!"

Lembrei-me de uma pequena passagem, O Trágico Dilema, do Mário Quintana:


"Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro."

E com isto termino a minha tarde.
Um abraço!
=)

terça-feira, 30 de março de 2010

Texas Black Rose



Tentei por inúmeras vezes traduzir, para mim mesmo,
         o que eu sinto por você.
Hoje eu percebi que nada não menos que amor poderia ser.
E na minha auto incumbência de declarar-te o que sinto;
Restaram-me as letras.
Censurando o teu jeito 'full gas' descubro em mim travessuras
         que eu nem lembrava mais.
Imagina o meu eu sem o teu eu? Que eu sozinho seria,
         se o meu eu não fosse teu.
Não cresça, pequena, jamais; que o amanhã demora muito
         e pra hoje já é tarde demais.
Hoje eu te quero, sei que te quis ontem, te quero amanhã
         e te quero pra sempre; sei que você me entende...
Amo-te tanto que não poderia ser diferente.


(I.A.M² - 30/03/2010)