quarta-feira, 29 de julho de 2009
Carma rouco
“A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias. [...]”.
Quem é que ainda não viu?!
O jeito como eu não consigo mais disfarçar, nem controlar, um suspiro me escapa quando falo o nome dela, olho pra cima e respiro fundo quando tocam o nome dela, aquece-se o meu sangue e molha-se a minha boca quando o assunto é ela. Meu carma já está rouco de tanto gritar aos ouvidos do destino, dedicou-se a escrever e a não mais gritar. Espera-se ansiosamente que o destino saiba ler.
Oh céus, que juízo esse meu, não?!
:)
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Comentário inescrupuloso:
Ainda lembrando a primeira, e incomparável, vez em que a beijei. Uma das tantas, inusitadas, situações pelas quais o meu carma costuma gritar alto aos ouvidos do destino: Nenhuma de todas as transas que eu tive foi tão pessoal quanto aquele beijo, o gosto de seus lábios e o tato de sua língua comparavam-se a um embriagante manjar.
Inescrupuloso comentário.
Inesquecível sensação.
(I.A.M² - 23/07/2009)
Amor que morre
O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.
E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!
(Florbela Espanca)
Ela era
Ela que a rosas cheirava,
E em meus desejos ardia.
Ela que de dia ensaiava
E só na noite mostrava
O que ensaiara de dia.
Ela intrínseca à minha vida.
Eu intrínseco à vida dela.
Ela que não sai da minha vida.
Eu que saí da vida dela.
O mútuo, amante, amor que jazia.
(I.A.M² - 20/07/2009)
