domingo, 28 de março de 2010

Diligenciando-me



Certo dia uma boa alma me perguntou
A quem eu escrevo.
Respondi meio inseguro
Que escrevo a mim mesmo;
Tento gravar nestas linhas
Os dias que eu não esqueço,
As noites em que não durmo,
As horas em que entristeço,
Os minutos em que fico mudo
E os devaneios em que enlouqueço.
Faço de meus bons momentos horas intermináveis de
(re) leituras.
Quando não escrevo me sinto, além de improdutivo,
Árido, seco e pesado.
Pareço-me carregado com algo que
Outros olhos precisam escutar;
Ou serão apenas os meus dedos
Que necessitam dizer?!

(I.A.M² - 25/03/2010)

Pesar



Eu tenho saudades dos tempos
Em que errar não era errado
Em que ser severo não era ser malvado
Em que sofria-se vendo o outro lado
Em que amar não era pecado.
Não terei saudades do amanhã.

(I.A.M² - 06/09/2004)

sábado, 27 de março de 2010

Ironia



Tu tens de belo um amor roubado
Tu tens de belo um amor bandido
Tu não disfarças teu amor fingido
Tu tens o mais belo do amor comprado
Ou tu não tens o amor compensado?
Ou tu não tens ao amor mentido?

De mais belo eu tenho a insensatez
De que me valho todos os dias
Ou não seria a avidez
Com que eu uso a ironia?


(I.A.M² - 27/03/2010)

Amanhã




Amanhã vou te recitar um poema
Que te proponha algumas dúvidas e te presenteei muitas certezas
Um poema simples que me deixe mais perto de ti
Que fale da tua vida e de minhas confusões
Que fale do teu amor e de minhas confissões
Amanhã teremos as mesmas oportunidades para errarmos tudo novamente
Mas de maneira diferente
Amanhã serei mais uma criança com um crédito infinito à insegurança
Amanhã tudo terá cheiro de novo
Sabor de pecado
E textura de mulher
Amanhã eu quero um novo som
Quero um novo emprego
Uma nova casa
Os mesmos velhos amigos
E uma mesma e única mulher
Amanhã eu quero que seja hoje!

(I.A.M² - 16/03/2010)