terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Uma leve brisa de inquietação
Tomou conta de meus pensamentos.
Esta mesma brisa leve ainda não tem caminho certo;
Segue os traços perdidos de uma ventania enfurecida
Sem a segunda virtude teologal,
Digna de uma ventania madura,
Para que possa investir em si mesma.
Ela não sabe soprar só.
Ela não sabe ficar só.
Ela não sabe ser brisa... E só.
Espero que uma plêiade possa dizer de forma mais bela
O mal que esse novo mundo fará a ela.
Um enlace com um acaso escolhido
Não fará de seus lamentos um mar de rosas vermelhas.
Brisa, sopre bastante o que soprastes em mim.
Eu sei que tu sabes.
Brisa, sofra o suficiente e 'ventaniesça-se' por fim.
(I.A.M² - 02/02/2010)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Eu juro
Hoje eu juro que vou te ligar.
Mas não como nos dias de outrora
Que era só uma saudade
Gritando de dentro pra fora.
Hoje eu juro que vou te ligar.
Mas só pra dizer-te até logo
Para que n'outro dia, quem sabe,
Eu te peça uns dez minutos de colo.
Hoje eu juro que vou te ligar,
E ao telefone vou dizer-te baixinho:
Não me espere acordada, benzinho.
(I.A.M² - 25/01/2010)
Quase indistintos
Hoje eu vi homens assumirem a total
Compreensão acerca do universo feminino,
Vi homens carentes de atenção
E homens que nomeavam suas fraquezas.
Havia uns, também, que não conheciam o perdão;
Outros que apontavam os seus medos
E uns cinco ou seis que discutiam religião.
Hoje eu testemunhei homens mendigando amor.
Vi homens deixando os livros de lado
Para ganhar com os punhos uma verdade ainda não dita.
Vi homens enganando mulheres,
Homens pregando um falso amor,
Vi homens sangrando hipocrisia,
Vi homens chorando de tanta dor.
Certo estou de que homens eu não consegui ver,
Mas vislumbrei meninos que um dia hão de crescer.
(I.A.M² - 22/01/2010)
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Ei pai...
Ei pai, você me carregou nos braços?
Você me ouviu aprendendo a falar?
Você me viu dando os primeiros passos?
Ei pai, e quando eu caí você também estava lá?
Ei pai, você escolheu o meu nome?
Você me viu nascer?
Você me viu pintando o sete?
Você já viu um pai como você?
Ei pai, você ouviu o rádio tocar?
Você ouviu o sino bater?
Você ouviu a mãe te chamar?
Ei pai, você ainda é você?
Ei pai, você sentiu a queda de ontem?
Você sentiu o chão tremer?
Você sentiu a brisa do monte?
Ei pai, você ainda se sente você?
Ei pai, você não me viu competindo?
Você não me viu crescer?
Ei pai, eu ainda te vejo mentindo.
Ei cara, eu te vejo como você não se vê.
(I.A.M² - 18/01/2010)
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